Jovens, instituições e cidadania ativa em Palermo

Do conhecimento à participação: em Palermo, os jovens conhecem as instituições. Através de atividades interativas, visitas institucionais, Peddy Papers e diálogo com representantes políticos e comunidades locais, o programa Get Political envolveu jovens dos 18 aos 25 anos numa experiência de aprendizagem prática e participativa. Um percurso pela política, cidadania, inclusão e literacia mediática, transformando a curiosidade em consciência e o conhecimento em participação ativa.
Entre março e abril de 2026, o CESIE ETS desenvolveu em Palermo um programa dirigido aos jovens, com o objetivo de reforçar a literacia política, a cidadania ativa e a participação juvenil. O programa envolveu um total de 62 jovens com idades entre os 18 e os 25 anos e combinou sessões de formação, atividades de aprendizagem pela experiência, visitas institucionais e diálogo direto com representantes políticos e das comunidades. O objetivo geral foi tornar a política mais acessível, compreensível e relevante para o quotidiano dos jovens. O programa foi estruturado em torno do Guia Get Political 101, que proporcionou aos participantes uma introdução acessível a conceitos fundamentais como os sistemas políticos e eleitorais, as estruturas institucionais, a distribuição do poder e os direitos dos cidadãos. Através de debates orientados, exemplos práticos e atividades interativas, os participantes foram incentivados a explorar o funcionamento das instituições democráticas e a refletir sobre o seu próprio papel enquanto cidadãos. Uma componente central do programa foi a metodologia dos Peddy Papers, baseada no aprender fazendo. Trabalhando em pequenos grupos, os participantes realizaram tarefas e desafios relacionados com a administração pública, a governação e as relações entre cidadãos e instituições. Ao aplicarem conhecimentos teóricos em contextos institucionais reais, conseguiram transformar conceitos abstratos numa compreensão prática. As atividades reforçaram também as competências de trabalho em equipa, comunicação, resolução de problemas e pensamento crítico.
Uma experiência particularmente relevante foi a visita à Assembleia Regional Siciliana, onde os participantes exploraram o funcionamento das instituições regionais e o papel dos representantes eleitos. A visita foi complementada por um diálogo com a Deputada Valentina Chinnici, centrado na participação juvenil a nível regional e nas barreiras que podem impedir os jovens de se envolverem mais ativamente na vida pública. Outro momento importante de diálogo institucional contou com o Vereador Fabrizio Ferrandelli, com quem os participantes debateram as políticas de juventude e a relação entre os jovens e as instituições públicas. As conversas diretas com representantes políticos ajudaram a tornar os processos de tomada de decisão mais concretos e incentivaram os participantes a refletir sobre a confiança, a representação e o papel que podem desempenhar na vida democrática. O programa estendeu-se também para além dos espaços institucionais, através de um percurso sociopolítico pelo bairro de Ballarò, em Palermo, e pelo Moltivolti. O passeio “Through My Eyes”, orientado por jovens de origem migrante, proporcionou aos participantes perspetivas na primeira pessoa sobre a migração, a diversidade urbana e a vida quotidiana em Palermo. No Moltivolti, os debates e as oficinas incentivaram os participantes a questionar as narrativas dominantes sobre a migração e a explorar temas como a inclusão, a coesão social e a diversidade. A atividade suscitou um envolvimento emocional e intelectual particularmente forte, promovendo a empatia, a consciência intercultural e o pensamento crítico. A sensibilização para o mundo digital e a literacia mediática foram também integradas no programa. Os participantes exploraram temas como a desinformação, os algoritmos, os conteúdos gerados por inteligência artificial e o envolvimento emocional em contextos digitais, desenvolvendo ferramentas para avaliar criticamente a informação com que se deparam diariamente nesses ambientes. De um modo geral, a experiência demonstrou o valor de combinar conhecimento, experiência e diálogo na educação política dos jovens. O envolvimento direto dos participantes, o contacto com as instituições e a interação com as comunidades locais tornaram os conceitos políticos e sociais mais concretos, acessíveis e significativos. O programa contribuiu não só para uma melhor compreensão dos sistemas políticos e institucionais, mas também para o desenvolvimento de competências transversais como a comunicação, o trabalho em equipa, o pensamento crítico e a consciência intercultural. A experiência em Palermo confirma que as abordagens participativas e inclusivas podem desempenhar um papel fundamental na capacitação dos jovens para se tornarem cidadãos mais informados, confiantes e ativos, capazes de participar na vida democrática das suas comunidades.